A MORTE PEDIU DESCULPAS

Por Ezidio Alves

Andando na beira da estrada voltando para casa depois de perambular pelo centro do Rio distribuindo meu livro,olho pra trás vejo um carro preto que não me lembro a marca,até ai nada de anormal mas quando esse carro passou por mim em alta velocidade dois caras loiros colocarama cabeça do lado de fora e gritaram: MAGRELO! VIADO! o ódio tomou conta de mim,todos os piores sentimentos vieram a minha mente enquanto o carro se afastava rápido,isso é um dos atos mais covardes da sociedade,só comparável a carta anônima e ao trote telefônico, se o carro enguiça ali naquela hora daria muita porrada nos ordinários;a estrada onde seguia tinha uma lombada logo a frente apesar de ser uma reta,o carro desapareceu rapidamente alguns segundos depois aconteceu um estrondo lá na frente após a lombada, apressei o passo tentando ver o que aconteceu a cena que descortinou a minha frente foi assustadora ao longe vi o carro preto completamente destruído, tinha batido de frente com um corsa azul,já dava para ouvir os gemidos um quadro de horror, me bateu um remorso por ter desejado que algo ruim acontecesse com aqueles caras e realmente aconteceu mas foi uma fatalidade,no carro deles o motorista já estava morto e os jovens presos nas ferragens agonizavam ensanguentados,me aproximei para ajudar e quando eles me viram seus olhares me passavam um misto de dor,agonia,desespero,medo e fragilidade ao passo que meus sentimentos eram um misto de tristeza,ódio e remorso;tentei tira-los de dentro do carro um deles pegou na minha mão e apertou me olhando fixamente da mesma forma,quando ao longe se ouviu as sirenes do socorro já era tarde...

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