NA LOUCURA DE TE AMAR:
FAÇO JURAS DE AMOR POR MIM

Por Jônatas Luis de Cesaro (IceHeart)

Lágrimas que correm perpétuas
Vozes que gritam caladas
Sussurros que conturbam
Almas penadas

Nos olhos, brilho de predador
Nas paredes, escritas de meu pavor
Na janela, o cinza de um dia sem calor

Uma mágoa que nos assusta
A solidão é o preço que nos custa
A dor é a oferenda que nos resta
Na tatuagem cicatrizada
De três números iguais na testa

Vomitando os teus deuses
Bebendo o néctar do pecado
Por uma ou dez mil vezes
Do sangue do mel puro
Ao gosto amargurado do sangue maduro
Um louco apaixonado
De pensamento imaturo
Cresce assustado
No jardim que colhe a morte
Cortado ao meio corte
Por um rio vermelho concentrado

De ares a vales sinuosos
De lágrimas a olhos chorosos
Que refletem o padecer de religiões e santos milagrosos
Para viver e carregar orações a paraísos gloriosos

Loucuras de sete sonhos
Lembranças que habitam o lar dos meus heróis medonhos
Os quais a criação surgiu em meio à frustração
E fantasmas do medo
Que rodeiam a mim e minha maldição

Par de léguas cansativas
No deserto escuro e sombrio
No ego largo e frio
Do meu pensamento amargo e vazio

Na busca dos anjos que condenei
No tormento dos mortos
Os quais minha taça entreguei
No cais escuro dos portos
De águas turvas e cegas
Águas que manchei
Do corpo que me entregas
Em curvas e caminhos tortos

Sonhos das sombras
Invoco meus deuses
Rodeado de víboras, serpentes e cobras
Numa volta ao redor de mim

Olhos de vidro
Castiçais de ouro
Forca de corda, o nó
Aos pensamentos de prata
Dos poetas de bronze
Tocam e viram pó
Seus feitiços boçais de longe

Unhas que rasgam a vida
Pinheiros de cedro
Uvas de oliva
Choro sem credo
Lágrima cativa

Críticos alucinados
Místicos apaixonados
Fome de versos calados
Criaturas famintas
Profanam seus cercados

Redemoinhos aos círculos
Labirintos astutos
A morte agora colhe seus frutos
Analisando seus currículos

Antáres, Egito, Pérsia
Atlântis, Macedônia e Grécia
Ruínas de meu eu
Segredos que acusam
O verdadeiro medo teu

Biosfera artificial
Liberta a fera medieval
Praga do prazer carnal
Que trás das profundezas
O verdadeiro ser do mal

Bobo alegre que perdoa
Triste dor que magoa
Mágoa cega que incendeia
Alma insana que te odeia

A magia do despertar
A agonia de te espreitar
A paranóia de me condenar
Na insanidade de te odiar
O prazer de ver o teu sangue jorrar
Na loucura de te amar.


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