MEUS DELÍRIOS

Por Jônatas Luis de Cesaro (LESTAT)

Meus Delírios
Caem sobre mim as fáceis tentações
Desabam sobre ti meu anjo
As eternas maldições.

Meu pânico encharca-me em suor
Meu delírio me faz tremer de calor
Teu animo palpita-te em dó maior
Porém teu sono infesta-te de horror

Meu coração, minha alma vela
Teu olhar, minha lágrima congela

Meu pálido desespero torna meu corpo tremulo
Teu insano ato pérfido escraviza teu pêndulo

Sobre meu ser... salta dor e magoa
Sobre teu crer... desaba angustia e água
Sobre nosso amor...sobra sangue e lágrima

Entre as linhas de dor e loucura
Realça de vermelho a amarga tintura
Entre a minha e atua censura
No olhar, há um pequeno corrimento de amargura

Nas telas de desenhos teus
Pinturas
Pulsos e estiletes meus

Veias minhas que correm amores
Teias tuas que colam traição
Pesadelos nossos que nos bebem em febre e calores
Olhares teus...lágrima, veneno e solidão

Lembranças amargas minhas
Sobre tua pessoa
Lamentos e gemidos meus

Contaminado por tua peçonha

Passado de misericórdias
Presente de pecados
Nosso futuro atormentado
Sórdido tempo miserável

O som de sinos funerais ecoa em minha mente
A cada maldito momento de silencio
É silencio o tempo todo

O teu cheiro esta em toda parte
Mistura-se ao de velas derretida
Que se empoça feito minhas lágrimas de sangue

Teu gosto me salga a boca
Teu sorriso me alucina
Feito paisagem louca
Sorriso que me assassina

Meus olhos vão do azul ao rubro
Sentimento sólido de um clarão que perturbo
Luz a qual não mais existe
E meu sono já não mais existe

Retrocedo em passado e magoa
Me afogo em sangue, suor e água

Estou no meio do nada
E você está no meio de tudo
Em todo lugar que olho
Vejo teu amor...que delírio absurdo!

As paredes que me trancam
Se juntam
Me espremem
E antes de meu último suspiro
Se afastam

E se meu delírio antes era sobre o fim
Pobre sou eu!
Hoje delírio de mim!

Estou em pedaços
Espalhado por toda parte
Espelho de estilhaços
Cubismo de picotes de arte

Cada pedaço meu
Uma gargalhada sádica e frustrada
É também um espelho teu
Tua mortalha de amor
Corrente enferrujada

Mil versos
Dez mil anos
Sem luz
Eu e você na cruz

A arte da magia hoje eu desprezo
Sentimento que fez até de mim surpreso
Mas afinal toda a forma de arte eras tu
Isso ainda hoje eu não nego
Leve os olhos meus
Porque fiquei cego
Longe dos beijos teus

Segredos e sonhos... já não vivo-os
Os versos que proponho já não escrevo-os
Segredos e sonhos não existem
Os versos...choro-os!


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