Amargos pensamentos de desilusões
Ao fel me trago feito fogo, fétido
Como mundos perdidos em ilusões
De batalhas divinas em cantos épicos
A mente em transe devaneia
A ordem é matar novamente
Posso enganar à mim mesmo?
Mesmo que seja outra a mente?
Quero amar-te como qualquer mortal
Em um feliz sonho de paz normal
Quero matar-te com punhalada fatal
Contradições de uma mente irreal
E doe, fere a alma, o amor e o ódio
Deliciosa dor de devaneios dementes
A razão anestesiada pelo ópio
Dos meus conflitos de egos latentes
O assassino e o amante num mesmo fio
Como os dois lados de uma espada
A lua e o sol, luz e trevas, meu ser
Equiparados ao sangue de tua carne pálida
Sataniel Cristo sou em emoções
Bem e mal não são tão diferentes
Não chamastes de Besta o seu salvador?
Faço divina a vontade minha como manda a lei
"Faça! Seja Deus! Faça!" Diz a voz
Impelindo a lâmina à carne imaculada
"Não! É pecado! Pare!" Paradoxos
Brecando os impulsos de insanidade
Quanto sofrimento e dor podes suportar?
Antes de o último suspiro exalar
Eu tiro a vida daqueles que amo
E assim me torno Deus em mim mesmo
Pois sou aquele que pela eterna idéia de sacramento
Devo continuar a matar condenado pela mente
À temer amar, por necessitar matar sempre
Em martírio infinito de ser o assassino e o amante