O ASSASSINO E O AMANTE

Por Márcio "Lord D" Belloni

Morte em terras longínquas
Ao longe vai no infinito
Vidas podres às minguas
De seres negros malditos

Amargos pensamentos de desilusões
Ao fel me trago feito fogo, fétido
Como mundos perdidos em ilusões
De batalhas divinas em cantos épicos

A mente em transe devaneia
A ordem é matar novamente
Posso enganar à mim mesmo?
Mesmo que seja outra a mente?

Quero amar-te como qualquer mortal
Em um feliz sonho de paz normal
Quero matar-te com punhalada fatal
Contradições de uma mente irreal

E doe, fere a alma, o amor e o ódio
Deliciosa dor de devaneios dementes
A razão anestesiada pelo ópio
Dos meus conflitos de egos latentes

O assassino e o amante num mesmo fio
Como os dois lados de uma espada
A lua e o sol, luz e trevas, meu ser
Equiparados ao sangue de tua carne pálida

Sataniel Cristo sou em emoções
Bem e mal não são tão diferentes
Não chamastes de Besta o seu salvador?
Faço divina a vontade minha como manda a lei

"Faça! Seja Deus! Faça!" Diz a voz
Impelindo a lâmina à carne imaculada
"Não! É pecado! Pare!" Paradoxos
Brecando os impulsos de insanidade

Quanto sofrimento e dor podes suportar?
Antes de o último suspiro exalar
Eu tiro a vida daqueles que amo
E assim me torno Deus em mim mesmo

Pois sou aquele que pela eterna idéia de sacramento
Devo continuar a matar condenado pela mente
À temer amar, por necessitar matar sempre
Em martírio infinito de ser o assassino e o amante


VOLTAR