OS DEZENOVE ANOS

Por Carlos Witalo

Credo, meu Deus! Quanta carência.
Amor é o que me falta tanto,
Por isso é grande esse meu pranto,
Que me apodrece a pouca paciência.

Êta, Senhor! Que solidão bandida.
Parece-me um eterno fardo,
E querendo pará-lo, só retardo
A propagação de incomparável ferida.

Pais me tentam com propostas fáceis,
E amigos me sopram carnalidades vãs;
Esses amores modernos não são amores sãos,
Sim ferrugem, espinho, frutos jamais saudáveis.

Mas até quando esperarei morrendo
O que me faria sorridente viver?
Quero apenas amar, mas por enquanto 'inda a ver
Meu próprio enterro vou assim por dentro.


VOLTAR